A carta, que me escreveste,
Inda cá me não chegou;
Se queres alguma coisa,
Fala-me que eu aqui estou.
(Corvo)
A carta, que me mandaste,
Abria-a com pouco jeito:
Trazia o teu coração,
Caíu-me dentro do peito.
(Terceira)
A carta, que me mandaste,
Ainda cá não chegou;
Se é para me matares,
Mata-me, que eu aqui estou.
(S.Miguel)
A carta, que me mandaste,
Decerto caíu na rua;
Se é para zombar, já basta;
Se é a sério, continua.
(S.Miguel)
A carta, que me mandaste,
Era de vidro e quebrou-se;
A letra que vinha dentro,
Era água e derramou-se.
(Sta.Maria)
A carta, que me mandaste,
Mandei-a deitar na rua;
Quem não é capaz de amar,
Não se aceita prenda sua.
(S.Jorge)
A carta, que me mandaste,
Não lhe pude entrar com a letra;
Abracei-a e beijei-a,
Arrumei-a na gaveta.
(S.Jorge)
A carta, que me mandaste,
Quando a li, fiquei chorando,
Quem me dera estar contigo,
Quando a estavas notando.
(Sta.Maria)
A carta, que te mandei,
Caíu do peito na rua;
Soubeste da minha vida,
Só eu não soube da tua.
(S.Miguel)
A carta, que te mandei,
Cheia de letras vermelhas,
Foi notada e foi escrita
Co sangue das minhas veias.
(Sta.Maria)
Adeus, donzela, adeus anjo,
Adeus, meu lindo amor,
Espero que me escrevas
Pelo primeiro vapor.
(Pico)
Adeus, meu lindo amor,
Adeus, meu lindo amorzinho,
Aí vai meu coração
Nesta carta fechadinho.
(S.Jorge)
A minha primeira carta
Logo em nicas a fizeste;
Eu nunca mais te perdoo
O desgosto que me deste.
(S.Miguel)
Amor, escrevo esta carta,
Cum galhinho de alecrim,
Não posso dizer mais nada,
Que o papel está no fim.
(S.Miguel)
Anda cá, meu amor novo,
Que os velhos já me esqueceram;
Faço de conta que foram
Folhas de papel que arderam.
(S.Miguel)
Anda, carta, vai voando,
Rasteirinha pela costa,
Inda que tardes um ano,
Não me venhas sem resposta.
(Corvo)
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