Cancioneiro Geral dos Açores
Autor: Armando Cortês-Rodrigues
3º Volume
( Apanhado de todas as quadras cantadas nas ilhas dos Açores )

Balhos

6- CARACOL

Eu já vi o Caracol
A subir uma parede;
Depois de lhe dar o sol
Caíu mortinho de sede.
(S.Miguel)

O Caracol é vadio,
Mas a graça que ele tem:
Come as ervinhas do campo,
Sem ofender a ninguém.
(S.Miguel)

O Caracol é velhaco,
Só quer praticar o mal:
De noite pela calada
Vai às couves do quintal.
(S.Miguel)

A vida do Caracol
É bem triste de levar:
Poisa aqui e poisa ali
Nunca tem onde parar.
(Pico)

A vida do Caracol
É uma vida arrastada;
Anda com a casa às costas,
Onde chega faz a morada.
(Pico)

A vida do Caracol
É vida que nos faz rir;
Entre cravos e junquilhos,
Sem o sol descobrir.
(Pico)

A vida do Caracol
Que na pudera imitar,
Vivendo entre as florinhas
E a todos poder amar.
(Pico)

Ai, ai, Caracol,
Meu caracolaço,
Dá cá um beijinho
Que eu dou-te um abraço.
(S.Miguel)

Ai, ai, Caracol,
Meu caracolinho,
Dá cá um abraço
Que eu dou-te um beijinho.
(S.Miguel)

Ai, ai, Caracol,
Meu doce alimento,
Eu sempre te trago
No meu pensamento.
(S.Miguel)

Ai, ai, Caracol,
Que eu bem te dizia,
Que papas à noite
Faziam azia.
(Terceira)

Olha o Caracol
Em cima do muro,
Olha o meu amor
Que não está seguro.
(Terceira)

Olha o Caracol
Não sobe nem desce,
Que o meu amor
Mingua e não cresce.
(Terceira)

Adeus, adeusinho,
Adeus, Caracol!
Que tu és casado
Não és do meu rol.
(Pico)

Ai! Ai!... Caracol,
Da racha da lenha,
Menina bonita
Ninguém na apanha.
(Pico)

Ai! da minha vida,
Que eu fui não tornei
Em teu coração
É que eu naufraguei.
(Pico)

Caracol, Caracol
Que eu bem te vi onte
Estar de joelhos
No pátio da fonte.
(Pico)

Caracol, Caracol,
Que eu te vi estar,
Domingo na missa
Ao pé do altar.
(Pico)

7- CARRASQUINHA

A Carrasquinha moderna
Pode mais do que o fado;
Em pondo o joelho em terra,
O mundo fica pasmado.
(S.Miguel)

A moda da Carrasquinha
É moda de assim ao lado;
Quando põe joelho em terra,
Fica tudo admirado.
(S.Miguel)

8- CASACA

Esta moda da casaca
Nunca havera de acabar:
Não há moda mais bonita
Pra quem na sabe balhar.
(Terceira)

Eu tenho sete casacas
Fechadas numa gaveta,
Para vestir para o ano
Nos festejos da Serreta.
(Terceira)

Eu tenho sete casacas
Mas ainda queria mais;
Três brancas, três amarelas,
Três azuis todas iguais.
(Graciosa)

Eu tenho sete casacas
Todas sete de filó,
Fechadas às sete chaves
Em casa de minha avó.
(Graciosa)

Eu tenho sete casacas
Todos sete de paninho,
Fechadas às sete chaves
Em casa de meu padrinho.
(Graciosa)

Eu tenho sete casacas,
Todas sete são de estopa;
Minha avó para a fiar
Caíu-lhe os dentes da boca.
(Faial)

 

 

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